Cómo diseñar una revolución: La vía chilena al diseño [Como projetar uma revolução: a via chilena para o design] é uma exposição abrangente sobre o design gráfico e industrial durante o governo de Salvador Allende no Chile (1970-1973). Com curadoria de Hugo Palmarola, Eden Medina e Pedro Ignacio Alonso, a exposição apresenta um percurso amplo e sensível sobre a cultura visual e material de um momento histórico fundamental, revelando um caso excepcional na história do design: quando o fato inédito de escolher uma revolução nas urnas levou à primeira resposta de um país para projetar em conjunto através do socialismo e da democracia.
Nos dias 18 e 20 de novembro, dois dos seus curadores apresentarão os objetivos, temas e conteúdos desta exposição em duas conferências promovidas conjuntamente pelas Faculdades de Belas-Artes e de Arquitectura da Universidade de Lisboa. As suas palestras revelarão como a população chilena utilizou o design como ferramenta para a construção de uma sociedade mais equitativa, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de toda a sua população.
A exposição, que pôde ser vista em Santiago do Chile entre 2023 e 2024 – pelo 50.º aniversário do golpe de Estado civil-militar, que terminou violentamente esta experiência única do socialismo democrático – e em Barcelona até 14 de novembro de 2025, apresenta mais de 350 peças originais de design destinadas à ação coletiva, à democratização da leitura e da música, à redução da dependência tecnológica e à superação da desnutrição infantil, entre outras causas sociais.
Uma das peças mais destacadas da exposição é a primeira reconstrução integral e funcional da sala de operações SYNCO do projeto Cybersyn. Este projeto, impulsionado durante o governo de Allende sob a direção de Stafford Beer e coordenação de design de Gui Bonsiepe, constituiu uma experiência pioneira em gestão pública e cibernética, antecipando debates atuais sobre dados, controlo e participação cidadã.
Na terça-feira dia 18, Hugo Palmarola apresentará às 17h na Faculdade de Belas-Artes a secção dedicada ao inédito esforço coletivo que, entre 1971 e 1973, produziu projetos originais adequados à realidade social, cultural e tecnológica de um país periférico. De capas de discos a livros e revistas, brinquedos a mobiliário para habitação social, protótipos de televisores e automóveis, sem esquecer os cartazes projetados para uma mobilização popular sem precedentes na história da América Latina e das democracias, esta seção exprime a energia e a esperança de uma revolução única na história mundial.
Na quinta-feira dia 20, Pedro Ignacio Alonso apresentará às 17h na Faculdade de Arquitectura a sala SYNCO que nesta exposição foi pela primeira vez integralmente reconstruída de forma fidedigna e funcional. Projetada em 1971 no complexo presidencial, o centro de operações do projeto Cybersyn permitiria ao governo de Allende visualizar diversos indicadores económicos e sociais do país. Embora tenha chegado a ser usada em 1973, também foi destruída durante o golpe de 11 de setembro. Mais do que um exercício de cenografia, a reconstrução desta sala parte de um processo de investigação colaborativo e multidisciplinar entre a Faculdade de Arquitectura e Design da Universidade Católica do Chile e o Massachussets Institute of Technology, cujas equipas de arquitectos, designers, historiadores e engenheiros reconstituíram os circuitos electrónicos, definiram os tecidos e cores dos seus componentes e produziram, através de desenho paramétrico, as suas icónicas cadeiras de controlo.
Estas palestras são promovidas pelo Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes (CIEBA) da FBAUL (Professores Frederico Duarte, Victor M Almeida e Ana Thudicum Vasconcelos) e o Departamento de Design da FAUL (Professores Pedro Cortesão Monteiro e Jorge Nunes), em colaboração com a Campo Arquitectura (Arquitecto Eduardo Corales) e Galeria Antecâmara. Têm o apoio da Embaixada do Chile em Portugal.
O catálogo da exposição, editado pela Lars Müller Publishers em inglês e castelhano, encontra-se disponível na Livraria da Faculdade de Arquitetura.
Notas biográficas dos curadores/oradores
Hugo Palmarola (Santiago do Chile, 1977) é designer, doutor em Estudos Latino-Americanos pela UNAM e professor associado da Escola de Design UC no Chile. A sua investigação de doutoramento recebeu o Design History Society Student Essay Prize do Reino Unido (2018). Juntamente com Pedro Ignacio Alonso, obteve o León de Plata por Monoloith Controversies, Pavilhão do Chile na Bienal de Arquitetura de Veneza (2014), e receberam o Deutsches Architekturmuseum Book Award (2014) pelo livro associado. Monoloith Controversies faz parte da exposição permanente do Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile. Palmarola e Alonso curaram a exposição Flying Panels no Centro Sueco de Arquitetura e Design (2019–2020), publicando um livro com o mesmo título (Dom, 2019).
- Pedro Ignacio Alonso (Santiago do Chile, 1975) é doutor em Arquitetura pela The Architectural Association do Reino Unido e chefe do Doutorado em Arquitetura e Estudos Urbanos da UC no Chile. Foi Princeton-Mellon Fellow na Universidade de Princeton (2015–16) e arquiteto residente no Rockefeller Foundation Bellagio Center (2019). Juntamente com Hugo Palmarola, ganhou o Leão de Prata por Monoloith Controversies, Pavilhão do Chile na Bienal de Arquitetura de Veneza (2014), e receberam o Deutsches Architekturmuseum Book Award (2014) pelo livro associado. Alonso e Palmarola curaram a exposição Flying Panels no Centro Sueco de Arquitetura e Design (2019–2020), publicando um livro com o mesmo título (Dom, 2019).
Legenda da imagem:
Sala de operações Cybersyn, projetada pela Área de Design Industrial do INTEC, 1973, e reconstruída por Hugo Palmarola, Eden Medina e Pedro Ignacio Alonso, 2023. Exposição Cómo diseñar una revolución: La vía chilena al diseño, Disseny Hub Barcelona, 2025.

