Esta exposição de Mariana Pinto Coelho Dias, é uma instalação sonora site-specific que propõe a escuta da cidade — em particular da zona envolvente da Galeria Antecâmara — como um corpo vivo, pulsante e poroso. A cidade é auscultada como se tivesse órgãos, fluxos, ritmos e zonas de resistência, em diálogo com o corpo humano enquanto ponto de escuta, ressonância e recepção.
A instalação integra uma composição sonora multicanal, construída a partir de gravações de campo realizadas em diferentes momentos e lugares de Arroios, e uma estrutura arquitectónica ressonante desenvolvida pela Galeria Antecâmara, a partir de materiais habitualmente utilizados em maquetes. Esta estrutura filtra e difunde o som através de transdutores, transportando o exterior urbano para o interior do espaço expositivo e abrindo- o à contaminação sonora da cidade.
O projecto inscreve-se numa lógica processual e de deriva, trabalhando a escuta como prática de habitar, recolher e partilhar. Propõe-se, assim, uma cartografia sonora de ressonâncias em trânsito — entre a cidade e o corpo, entre o público e o privado, entre o individual e o colectivo.

