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Sandra Direito
Sandra Ramos (1993) é uma artista e investigadora portuguesa cujo percurso se enraíza na pintura, mas que rapidamente se expandiu para os territórios híbridos da curadoria, da crítica e das práticas digitais contemporâneas. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, o seu trabalho inicial explorou a plasticidade da cor, a intensidade do gesto e a relação entre fragilidade e transcendência. Desde cedo, revelou interesse pela articulação entre a experiência estética e a dimensão filosófica da arte, algo que permanece como fio condutor em toda a sua produção.
A sua investigação académica consolidou-se com o mestrado em Crítica, Curadoria e Teorias da Arte, onde desenvolveu uma reflexão profunda sobre o papel do curador e o peso ético das suas escolhas. Nesse trabalho, analisou como a mediação curatorial pode transformar a perceção de obras-primas, destacando exemplos paradigmáticos, desde a exposição Entartete Kunst à leitura de Rothko através de dispositivos curatoriais que alteram a experiência sensível. Esta pesquisa destacou a responsabilidade curatorial como uma força criadora de narrativas, mais do que simples contextualizadora.
Atualmente, Sandra encontra-se a desenvolver o seu doutoramento em Belas-Artes, especialidade em Ciências, Artes e Património, onde amplia a sua investigação para o universo digital. Interessa-lhe compreender como a figura do curador se adapta num ecossistema artístico marcado pela hibridização entre físico, digital e virtual.
Enquanto artista, Sandra não se limita ao espaço académico. O seu percurso criativo atravessa pintura, escrita, desenho de manga e experimentação com narrativas visuais. A sua produção é marcada por uma atenção constante à fragilidade humana, ao corpo enquanto território de limites, e à necessidade de ultrapassá-los — temas que frequentemente traduz em imagens poéticas e simbólicas. Um exemplo é a sua utilização de referências românticas, como O Caminhante sobre o Mar de Névoa de Caspar David Friedrich, que interligou com a filosofia alemã romântica e, mais tarde, com as “janelas para o além” de Rothko. Essa capacidade de criar pontes entre diferentes épocas e linguagens traduz o seu olhar plural e transdisciplinar.
Além da prática artística e da investigação, Sandra tem experiência em curadoria e em contacto direto com o público, tanto em contextos expositivos como no setor das vendas, o que lhe confere uma sensibilidade única: alia a atenção estética à escuta do outro. A sua passagem por eventos como The New Art Fest ’17 e a colaboração com espaços expositivos reforçaram a sua vontade de pensar a curadoria não como mera organização de obras, mas como criação de experiências éticas, democráticas e inclusivas.
A par do percurso profissional, a sua biografia é atravessada por uma curiosidade insaciável e uma energia criativa que se manifesta em múltiplas linguagens. Fascinada pela narrativa, dedica-se também ao desenvolvimento de um projeto de banda desenhada de longa duração, iniciado na infância e continuamente reformulado, onde explora universos ficcionais que refletem a complexidade das relações humanas.
Hoje, Sandra posiciona-se como uma artista-investigadora que procura construir pontes entre o pensamento crítico, a prática artística e a curadoria ética. O seu trabalho revela uma tensão produtiva entre tradição e inovação: da pintura à arte digital, da reflexão filosófica à democratização cultural, do gesto íntimo à escala coletiva. No centro da sua prática está sempre a mesma inquietação — como pode a arte ajudar-nos a compreender a nossa vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, abrir-nos a novas formas de existência?